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A vida como uma carta aberta

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[Este é o 3º de 5 devocionais sobre o tema da Confederação Nacional de Mocidade para o quadriênio 2022-2026, "Cartas de Cristo"]

Daqui uns dias vamos receber um casal de irmãos em casa. Faz tempo que tentamos combinar esse jantar. Enrolamos, enrolamos. Eles resistiram, não cederam, e eis que marcamos a data! Enfim, uma oportunidade para exercer mais uma das inúmeras práticas cristãs esquecidas no passado: a hospitalidade.

Sendo hospitaleiros uns para os outros, sem murmurações. Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. (1 Pedro 4.9,10)

A hospitalidade começa com o próprio Deus nos colocando no seu mundo, no seu jardim, e provendo ao homem todo o necessário para viver. Depois, Deus chama Israel a exercer hospitalidade com os estrangeiros:

"Não oprimam o estrangeiro que peregrinar na terra de vocês. Tratem o estrangeiro que peregrina entre vocês como tratam quem é natural da terra; amem o estrangeiro como amam a vocês mesmos, pois vocês foram estrangeiros na terra do Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês" (Levítico 19.33,34). Por fim, o próprio Jesus se assenta e come com pecadores, e lava os pés de seus discípulos.

A hospitalidade é a abertura de um espaço na vida para compartilhar o que é nosso com o outro. Porque, no fim das contas, nada é nosso. Somos só mordomos, e a melhor forma de cuidar bem do que Deus nos dá é repartindo com o próximo. Hospitalidade é acolhimento, é serviço.

A hospitalidade não se restringe a abrir a casa para chamar alguém para um café ou um jantar. Mas ela passa por isso também. E nesse ambiente familiar com quem antes era estranho, os laços se estreitam. Abre-se a porta para a autenticidade do outro e nossa, para ouvir e ser ouvido. Em volta da mesa, abre-se a porta para o verdadeiro discipulado.

Hospitalidade não é só o bom e velho sair para comer após o culto. Tem mais a ver com abrir a casa para receber os irmãos – especialmente os necessitados – a qualquer dia, a qualquer hora. E abri-la também para os "estranhos", o vizinho não crente, o colega ateu da faculdade, o funcionário que está tendo problemas com a esposa.

Rosaria Champagne Butterfield ficou bem conhecida no Brasil pelo livro "Pensamentos Secretos de uma Convertida Improvável". Escrevendo sobre hospitalidade, ela diz:

Quando eu vivia como lésbica em uma comunidade LGBTQ+ diversa em Nova York, na década de 1990, a casa de alguém ficava aberta todas as noites para qualquer pessoa da nossa comunidade. A epidemia de AIDS nos aterrorizava e nos unia simultaneamente, e era impensável que alguém em nossa comunidade fosse deixado sozinho de forma crônica e extensa, especialmente em tempos tão desesperadores. Minha parceira lésbica e eu abríamos nossa casa nas noites de quinta-feira, e eu aprendi naquela época a cozinhar para uma multidão de pessoas desconhecidas e a fazer do serviço ao próximo uma prioridade, mesmo em meio a uma vida profissional frenética. Se a igreja sentisse a prioridade da nossa irmandade em detrimento das nossas identidades carnais, nós também faríamos da hospitalidade uma prioridade. A unidade cristã mudaria nosso foco de programas para relacionamentos. Veríamos nossa falta de hospitalidade vibrante, regular e distinta como o pecado sujo e podre que ela é.

A hospitalidade é algo a ser redescoberto pelo cristianismo contemporâneo. Mas começa, no mínimo, por fazer e receber convites para estar à mesa com a comunidade de fé, até o ponto em que se pode dizer que nossa vida é um livro, ou melhor, uma carta aberta, para a glória de Deus.

Que tal marcar logo a data daquele jantar pendente com o irmão da igreja, hein?

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, […] compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade. (Romanos 12:10-13)


- Misael Pulhes

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